Governança Corporativa em Empresas Familiares: Estruturando o Futuro com Solidez
- Marcos Thiele
- 26 de mar. de 2025
- 4 min de leitura

A governança corporativa em empresas familiares é um fator decisivo para a longevidade e sustentabilidade do negócio. Mas como criar um modelo que respeite o legado, ao mesmo tempo em que permite adaptações necessárias? Como equilibrar interesses de diferentes gerações e evitar que laços familiares se tornem fontes de tensão dentro da gestão? Sem um modelo estruturado, as relações entre os sócios e as próximas gerações podem gerar conflitos que ameaçam tanto o futuro da organização quanto a própria harmonia familiar. Atravessar esse rio requer estrutura, flexibilidade e consciência das dinâmicas envolvidas.
A Complexidade das Empresas Familiares e o Papel da Governança
Empresas familiares são organismos vivos, pulsantes, que carregam consigo histórias, valores e relações de pertencimento. Mas também são atravessadas por paradoxos: a tradição versus a necessidade de inovação, a afetividade versus a racionalidade da gestão. Como destaca James Hughes Jr. em Family: The Compact Among Generations, a continuidade empresarial não está apenas na sucessão formal, mas na construção de um pacto intergeracional, onde governança não é sinônimo de controle, mas de alinhamento.
O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) reforça que boas práticas de governança corporativa são essenciais para mitigar riscos e fortalecer a sustentabilidade do negócio. Sem um sistema bem estruturado, a organização pode ser capturada por dinâmicas informais e pouco transparentes, comprometendo sua perenidade.
Podemos considerar 4 dimensões no sistema da família empresária: a família em si (identidade, valores, legado), as empresas (estratégia, gestão), o patrimônio (perfil de risco, organização e controle), e a sociedade (relação que a família quer ter com o ecossistema de negócios, e a natureza de impacto positivo que se espera). A governança tem o papel de ser o sistema que interliga e orienta estas quatro dimensões de forma coerente, por meio de fóruns, acordos e processos.
Elementos-Chave de Governança
Um sistema de governança eficiente precisa considerar três pilares:
Fóruns: são ambientes estruturados para tomada de decisões; proporcionando amadurecimento e profissionalismo para a gestão. O Conselho de Administração, por exemplo, é responsável por definir estratégias e supervisionar a gestão, enquanto o Conselho Consultivo atua como uma instância de aconselhamento imparcial.
Acordos: são documentos fruto de processos de construção coletiva para gerar convergência entre os membros da família, evitam disputas futuras, delimitando papéis e regras de convivência entre os envolvidos. O Acordo de Sócios, por exemplo, formaliza as "regras do jogo" entre sócios, tratando de temas como direito a voto, compra e venda de cotas, direitos de preferência, etc. O Protocolo Familiar, por outro lado, está próximo da esfera da família, tratando de regras de conduta, e princípios inter-geracionais e relacionados com a empresa e o patrimônio.
Processos: são um conjunto de planos e ações que devem ser desenhados e geridos para garantir perenidade. O Planejamento Sucessório tem foco na condução de uma transição entre gerações que seja fluida e sem rupturas. John Ward, em Strategic Planning for the Family Business, apresenta o conceito de "planejamento paralelo", no qual família e empresa caminham juntas, mas com fronteiras bem definidas.
Benefícios da Governança Corporativa em Empresas Familiares
A implementação de uma governança corporativa estruturada oferece benefícios tangíveis e intangíveis:
Transparência: Decisões tomadas com clareza e justificativa evitam ressentimentos e desentendimentos.
Redução de Conflitos: A estrutura de governança impede que relações pessoais se sobreponham à lógica do negócio.
Preservação do Legado: Valores e princípios são mantidos, mas com espaço para evolução e adaptação.
Casos e Exemplos de Boas Práticas
Algumas empresas familiares que atravessaram gerações com sucesso demonstram na prática como a governança estruturada faz diferença.
A Mazzaferro, fundada em 1953 e referência no setor de náilon, enfrentou o desafio da sucessão ao longo dos anos. O crescimento do número de sócios, que passou de dois para 18, demandou um modelo de governança que garantisse transparência e continuidade. A empresa profissionalizou sua gestão, instituiu um conselho com especialistas externos e formalizou um código de conduta, criando mecanismos de decisão que preservam o legado enquanto permitem adaptações necessárias. A implementação dessas medidas não apenas garantiu harmonia entre os familiares, mas também fortaleceu a perenidade do negócio.
Outro exemplo relevante é a Baterias Moura, que estruturou sua governança para evitar que relações familiares interferissem nas tomadas de decisão críticas da empresa. Renata Moura, presidente do Conselho de Família, destaca que a governança não pode ser vista como um projeto pontual, mas sim como uma dinâmica viva, que se aprimora continuamente. Para isso, a empresa estabeleceu diretrizes formais para sucessão, garantindo que as futuras gerações estejam preparadas para liderar com responsabilidade e visão de longo prazo.
Conclusão: A Travessia para uma Governança Sólida
A governança corporativa em empresas familiares não é um fim em si mesma, mas um meio para sustentar o negócio e manter a coesão da família. Encontrar um equilíbrio entre identidade e evolução é um desafio contínuo, que exige reflexão, adaptação e, acima de tudo, disposição para atravessar esse rio sem perder de vista o horizonte.
Se sua empresa familiar busca construir um modelo de governança robusto e alinhado às melhores práticas, entre em contato pelo WhatsApp (11) 97205-8391 e descubra como podemos ajudar a estruturar o futuro do seu negócio com solidez.
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