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Escuta ativa no trabalho: o silêncio nem sempre é sinal de harmonia

  • Foto do escritor: Marcos Thiele
    Marcos Thiele
  • 21 de jul. de 2025
  • 4 min de leitura

escuta ativa no trabalho

Quando foi a última vez que alguém disse algo incômodo na sua reunião? A pergunta pode parecer trivial, mas revela muito mais do que aparenta. Em ambientes profissionais, o silêncio frequente não é sinônimo de harmonia — muitas vezes, ele denuncia medo, omissão ou uma cultura avessa ao dissenso. A escuta ativa no trabalho, embora amplamente defendida como virtude corporativa, continua sendo confundida com gentileza, passividade ou concordância automática. Mas escutar, de verdade, exige coragem. E, mais do que isso, exige disposição para lidar com o desconforto que vem junto com perspectivas divergentes.


O que é escuta ativa no trabalho — e o que ela exige

Escutar ativamente vai muito além de ouvir com atenção. Trata-se de uma postura relacional baseada na presença, na empatia, na abertura ao outro e, principalmente, na disposição de ser impactado por aquilo que o outro traz. Em contextos organizacionais, a escuta ativa no trabalho implica reconhecer que as boas ideias — e as críticas construtivas — nem sempre virão revestidas de conforto. Ao contrário: costumam vir em forma de tensões, desacordos e pontos de atrito. Escutar não é o mesmo que concordar, mas é permitir que o outro realmente fale — e que sua fala tenha consequência.

É comum encontrar que organizações se dizem abertas ao diálogo, mas criam estruturas onde “dar voz” não significa necessariamente permitir influência. O colaborador é convidado a falar, desde que sua fala não contrarie o que já foi decidido. Essa escuta performática não transforma a cultura nem os resultados. Pelo contrário: desgasta a confiança e mina a motivação de quem percebe que sua contribuição é aparente — e não real.


Segurança psicológica não é permissividade

O conceito de segurança psicológica tem ganhado força nos debates sobre liderança e cultura organizacional. Trata-se de criar um ambiente onde as pessoas se sintam seguras para se expressar sem medo de punições, ridicularização ou retaliação. No entanto, segurança psicológica não significa ausência de conflito. Cultivar escuta ativa no trabalho é justamente garantir espaço para a divergência sem que isso desestabilize as relações.

O desafio é encontrar o equilíbrio entre a abertura e a responsabilidade. Ambientes onde tudo é dito sem filtro, em nome da franqueza, também adoecem. É preciso construir limites saudáveis, onde a escuta ativa seja sustentada por respeito mútuo, clareza de intenções e maturidade emocional. O papel da liderança é central nesse processo — não só como quem ouve, mas como quem modela o valor da escuta como prática cultural.


O silêncio como sintoma organizacional

Em muitas equipes, ninguém contradiz o líder. Todos acatam decisões com aparente concordância. Mas nos bastidores, há desconforto, ruído, ou mesmo afastamento emocional. Basta observar a roda de conversa no cafezinho após a reunião. Essa ausência de contraditório, ainda que pareça indicar coesão, pode ser um sintoma claro de um problema mais profundo: o medo. Medo de perder espaço, de ser mal interpretado, de parecer confrontador ou “negativo”.

O silêncio, nesses casos, não é escolha — é sintoma. A escuta ativa no trabalho, para ser verdadeira, precisa dar conta também dessas vozes caladas. Vozes que se omitem não por falta de opinião, mas por falta de segurança para expressá-la. Quando o ambiente se torna avesso ao conflito, ele também se torna avesso à inovação, à criatividade e à responsabilidade compartilhada.


A cultura que adoece é a que evita tensões

Muitas lideranças ainda confundem um ambiente leve com um ambiente eficaz. Evitam feedbacks difíceis, postergam conversas necessárias, preferem alinhar apenas com quem já pensa parecido. Com isso, perpetuam uma cultura de evasão, onde a paz é, na verdade, paralisia. O medo de tensionar adoece a cultura organizacional porque impede a fricção necessária ao crescimento coletivo.

É importante lembrar que times que pensam diferente produzem mais, mas também exigem mais da liderança. Exigem escuta ativa no trabalho como ferramenta constante — não apenas em momentos de crise ou de avaliação. Exigem um modelo de liderança que valorize o contraditório como um bem coletivo, e não como ameaça pessoal.

Estratégias reais para cultivar escuta ativa no trabalho

Não basta declarar que se quer ouvir mais. É preciso criar estruturas que sustentem essa escuta no cotidiano. Algumas práticas eficazes incluem:

  • Redesenhar reuniões para incluir momentos de contraponto estruturado;

  • Criar canais seguros e anônimos de expressão para temas sensíveis;

  • Estimular a liderança a fazer perguntas abertas e escutar sem defensividade;

  • Promover treinamentos em escuta empática e escuta crítica para equipes;

  • Incorporar a escuta como critério de avaliação de desempenho — inclusive da liderança.

Essas ações, quando sustentadas por uma intenção genuína de transformação, mudam a lógica da escuta no ambiente organizacional. Deixam de ser gestos pontuais e se tornam parte da cultura.


Conclusão: quando o desconforto é sinal de saúde

Ambientes onde ninguém discorda, ninguém tensiona, ninguém diz o que realmente pensa, podem parecer tranquilos. Mas não são ambientes saudáveis. Escutar, de verdade, inclui acolher o incômodo, abrir espaço para o que desestabiliza e cultivar uma cultura onde o conflito não seja evitado, mas elaborado com maturidade. A escuta ativa no trabalho não é uma técnica de comunicação — é uma prática de liderança, de cultura e de coragem. E começa pela disposição de se perguntar: por que ninguém me disse isso antes?

Quer construir uma cultura organizacional onde a escuta não seja decorativa, mas transformadora? Fale com um especialista e agende uma consultoria personalizada pelo WhatsApp: (11) 97205-8391.


 
 
 

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